100 ANOS DA INSTALAÇÃO DA DIOCESE DE LUZ

  • 13/04/2021
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100 ANOS DA INSTALAÇÃO DA DIOCESE DE LUZ

                                        


HOMILIA DA MISSA DO CENTENÁRIO DA INSTAÇÃO DA DIOCESE

E POSSE DE DOM MANOEL NUNES COELHO.

“Anunciar o evangelho não é para mim motivo de honra, é antes uma necessidade...ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” 1 Cor 9,16

SAUDAÇÃO PASCAL

Saudação pascal a cada Diocesano e diocesana cuja sintonia agradecemos.

Saudação pascal a nosso presbitério, que o Bom Pastor abençoe e guarde cada um na saúde e na Paz.

Saudação aos religiosos Dehonianos, Sacramentinos e Orionitas - OPDP que partilham missão conosco.

Saudação a cada uma de nossas comunidades religiosas, Vicentinas, Santa Terezinha, da Pequena Providência, e de nossa Senhora do Monte Calvário...

Saudação a nossos seminaristas e vocacionados.

I. Sobre a pandemia

Nossa celebração, hoje, embora festiva, é simples, restrita e modesta, pelo contexto de Pandemia e de luto que passamos; em torno de 4 mil mortos dia, uma verdadeira 3ª guerra, a guerra da vida contra a morte, situação que nunca podíamos imaginávamos passar, parecendo aquelas profecias dos antigos. Mas também um tempo que vai se tornando verdadeira parábola de aprendizado para nós: de valorização de nossa vida em sua fragilidade; a valorização de nossa saúde; a corresponsabilidade pela vida uns dos outros; todos os cientistas e trabalhadores da saúde, viraram guerreiros lutando para nos defender da morte, para isso se expondo na frente da batalha, e quando já deram a vida. Temos que rezar, rezar muito, redobrar o cuidado consigo, e dilatar as fronteiras da família, da comunidade, principalmente dos nossos olhos e do coração, da nossa sensibilidade, atentos aos mais desprotegidos socialmente, caindo em situação de gravidade, na deplorável situação de fome. Amanhã, Domingo da misericórdia, façamos uma corrente de oração a Deus pelo fim da Pandemia, e às 15 horas, todas nossas matrizes vão badalar os sinos em toque de luto pelas vítimas da pandemia, que já passam de 340 mil mortos, no Brasil, e de milhão pelo mundo.

Faço uma chamada de atenção: nossa “Caritas” diocesana está arquitetando um projeto de solidariedade. Fiquemos atentos!

II. Tempo pascal:

Apesar de tudo, a vida não para, é um processo dinâmico de superação, e o é, exatamente por causa da PÁSCOA que hora celebramos, em plena oitava solene, esta Festa Maior de nossa fé, quando cantamos o aleluia da ressurreição, pela vitória do Crucificado- Ressuscitado, sobre a morte, evento altíssimo da história da salvação, e sem dúvida de toda a história, que mudou o curso da vida recriando o homem e o mundo, dando origem à nova humanidade, à nova criação; e mais ainda, gerando o novo povo de Deus, o povo da Nova Aliança, o mistério da Igreja a serviço da vida, da fé pascal, e do testemunho do Cristo Ressuscitado, vivo e presente entre nós, graça de vida eterna, de salvação de todo o mundo.

III. CENTENÁRIO CELEBRADO:

3.1 Mas um outro motivo nos REUNE COMO IGREJA DE LUZ: Nossa celebração neste momento é MARCO HISTÓRICO de um belíssimo acontecimento que não poderia, jamais, passar em branco: HÁ CEM ANOS, 10 de abril de 1921, A PROMESSA SE CUMPRIU, o sonho se realizou, criada já fazia 3 anos, pela feliz iniciativa de Dom Joaquim Silvério e do Papa Bento XV, a Diocese de Luz do Aterrado via a luz; com a festejada chegada de Dom Manoel Nunes Coelho, dos longínquos recantos da Arquidiocese de Diamantina, para habitar o novo Palácio, nesta terra luciatina, efetivando-se nesta, a instalação da nova diocese do centro-oeste mineiro.

3.2 Grande é a criação de uma Diocese, pois é a encarnação completa da Igreja de Deus numa circunscrição geográfica, significando a expansão organizacional da ÚNICA IGREJA CATOLICA, EM VISTA DA MISSÃO.

3.3 E este acontecimento, não é jamais isolado, mas exatamente, uma continuidade daquela movimentação surgida em Jerusalém, pelos anos 30 de nossa era, por causa da constatação do túmulo vazio, e daquele vai e vem de discipulas e discípulos que testemunhava que o Mestre estava VIVO, E QUE O TINHAM VISTO, e que mal podiam acreditar...

3.4 O mistério do Ressuscitado se estendeu no tempo até estas terras, e aqui chegou o cumprimento da OREDEM DO RESSUSCITADO aos seus aos seus confusos e alegres discípulos que mal assimilam a nova presença DE RESSUSCIDADO do MESTRE AMADO assassinado tão cruelmente naquela pascoa judaica. Ouçamos o texto evangélico de Marcos, há pouco proclamado: Na madrugada do primeiro dia, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena...Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que Ele estava vivo e

fora visto por ela, não quiseram (puderam) acreditar... Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e ...porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura.

3.5 Sim, irmãos e irmãs, queridos diocesanos, é por causa desse mandato do Ressuscitado, e daquela fervilhante caminhada de discípulos e discipulas a partir do jardim do Gólgota para anunciar uns aos outros a novidade da Ressurreição, é por isso que estamos aqui em continuidade desta caminhada, hoje aqui e agora, nestes caminhos do sertão centro-oeste mineiro...

3.6 Por isso, por esta mesma continuidade, que em Assembleia, nos demos um programa diocesano de evangelização que nos norteia com dois projetos a serem encarnados em cada uma de nossas comunidades, em todas as Paróquias: conhecer Jesus Cristo a partir da Palavra refletida e anunciada, e sermos comunidades em saída missionária, para fazer este mesmo anúncio, e preparar o encontro de Jesus Cristo com cada novo discípulo e discipula.

IV - Chegada de DOM MANOEL

Por este mesmo motivo é que aportou aqui nestas terras, há cem anos, Dom Manoel Nunes Coelho.

A pandemia dos anos 1918 não deteve, nem impediu de marchar, com as dificuldades de 100 anos atrás, percorrendo até aqui, em torno de 600 Km.

Ao celebrar o centenário da instalação desta Igreja diocesana e inauguração do ministério do jovem Dom Manoel (ordenado cerca de 36 anos!), todos maravilhados, agradeçamos a DEUS PAI, FILHO E ESPIRITO SANTO, o grande trabalho missionário que ele enfrentou nesta região, com todos os limites de recursos, de meios, de condição das estradas de cem anos atrás, agravados pelas preocupações de uma pandemia, que conhecemos bem.

4.1. Que imenso trabalho administrativo: criar estrutura numa Vila para a Diocese e para a cidade: catedral, espaço para acolher, para reuniões, prédios para cinema, escolas, Vila Vicentina... etc

E além disso, foi desbravando as distâncias, percorrendo o vasto território para anunciar a Palavra, para fortalecer a fé do povo nas Paróquias e comunidades e angariar recursos para a formação do clero, pois estava quase tudo por fazer, uma batalha que duraria 46 aos, sem trégua.

Não trabalhou só é claro: contou com bons colaboradores, pensou e agiu com a comunidade, dando respostas aos desafios de então: pensou no povo, nos pobres, nas crianças, adolescente, na Juventude, investiu na comunicação: tipografia, jornal, telefonia etc.

V. E Agora?

É a nós que toca a responsabilidade de encaminhar a construção do segundo centenário, transmitindo o recebido, aperfeiçoando e avançando o trabalho iniciado, respondendo aos novos desafios dos nossos tempos, para consolidar e tornar ainda mais bonita esta caminhada... Nós somos o elo entre dos dois centenários, o que passou e que está apenas começando.

5. 1 Por isso dizia eu nas celebrações de 2018, centenário da criação canônica da Diocese, neste novo centenário temos que investir muito, cuidando da juventude e nas vocações. Juventude no sentido amplo; e vocações, no sentido também ministerial: todas as formas de servir na Igreja, com especial enfoque, claro, nas vocações sacerdotais e religiosas.

Não basta, portanto, maravilhar-nos com o passado, olhemos sim, no retrovisor, mas sobretudo olhemos agora pelo para-brisa, o futuro que nos espera. Explico-me: Se nos encantamos, é verdade, com o heroísmo de Dom Manoel, de Padre Parreira e dos habitantes daquela época, principalmente, de Luz do Aterrado (sim, foram de fato, valentes e merecem nossas homenagens), mas olhando para frente, pelo “para-brisa”, precisamos encantar-nos também com sonhos de um futuro ainda melhor para o segundo centenário.

E a grande pergunta para nós é: qual será nossa contribuição para o futuro, e como darmos esta contribuição, já que somos o elo de dois centenários. Agora é a nossa vez! Sem desânimo, sem o “vírus” do individualismo, e com muita generosidade, compromisso e ousadia, tocarmos essa bela obra dos antepassados para frente. Não tanto mais obras materiais, mas de evangelização, ajudando nosso povo, famílias e comunidades a estarem mais firmes e fortes na fé, mais centradas em Jesus Cristo e na comunhão como Igreja, sem se contaminar pelas más influências, contratestemunho e desequilíbrios que sempre existiram, mas hoje, pela facilidade da mídia, são mais notórios.

Não nos deixemos, jamais, nos confundir nem abater-nos pelos desafios, mas ao contrário, desafiados sejamos sempre mais firmes e fortes na fé e no amor do Cristo Ressuscitado, na confiança em Deus, no amor e na comunhão eclesial, na alegria missionária de anunciar o evangelho, no fraterno amor solidário pelos irmãos e irmãs de comunidade, e pelos diferentes e frágeis que encontrarmos em nosso caminho, a exemplo do bom samaritano.

Com a graça e a força do Ressuscitado, presente em meio a nós, marchando à nossa frente; com as bênçãos de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, com a intercessão de Nossa Senhora da Luz, com a proteção do patriarca e guardião São José e São Rafael, nosso Padroeiro, com a intercessão de Maria, prossigamos, como Igreja de Luz, com alegria e ousadia, nosso caminho e caminhada por este sertão centro-oeste mineiro. Jesus Cristo: encontrá-lo é nossa alegria, anunciá-lo é nossa missão. Cristo ontem, hoje e sempre! A Ele a glória e louvor pelos séculos amém.

VI. OREMOS: Dá-nos Senhor Jesus, a mesma graça de amor e compromisso com o Evangelho, a mesma consciência missionária e elan de Padre Parreira e Dom Manoel e colaboradores que, com generosidade, alegria e bravura, plantaram as bases desta Igreja, cultivando as sementes de fé encontradas e semeando largamente o Evangelho. Livra-nos, Senhor, de todo desânimo e egoísmo, de todo comodismo e conformismo, e enche-nos de sabedoria e da força de teu Espírito para abraçarmos todo e qualquer sacrifício que o Evangelho nos pedir, e para que sejamos o elo fecundo e sólido do ontem com o hoje, do hoje com o amanhã. Amém!

Senhora da Luz, iluminai-nos.

São José, Patriarca e Patrono da Igreja, intercede por nós.

São Rafael, guiai-nos por todos nossos caminhos...

+ José Aristeu Vieira, bispo diocesano de Luz.

Luz, 10 de abril de 2021, Centenário da Instalação da Diocese de Luz e da Posse de Dom Manoel Nunes Coelho.

VII. Oração vocacional

Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: “Vem e segue-me”. Derrama sobre nós o teu Espírito, que ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a Messe não se perca por falta de Operários. Desperta nossas comunidades para a Missão, ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino na vida consagrada, religiosa e leiga. Senhor, que o Rebanho não pereça por falta de Pastores. Sustenta a fidelidade de nossos ministros, bispos, padres, diáconos e todos os missionários. Dá perseverança a nossos seminaristas e abençoa nosso Seminário. Desperta o coração de nossos jovens para o ministério pastoral em tua Igreja.

Senhor da Messe e Pastor do Rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo.

Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder SIM. São José, Patrono zeloso da Igreja, terno pai adotivo, educador e guia vocacional do Enviado do Pai, intercede junto a teu filho Jesus pela Diocese de Luz, para que tenhamos, neste novo centenário muitas, santas e fiéis vocações para servir ao povo de Deus.

Nossa Senhora, Mãe da Luz, São José, e São Rafael, rogai por nós.

(Oração do Ano Vocacional 1983, adaptada para o Centenário da Diocese, no Ano Santo São José, 2021)


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